Artigo publicado em “Notícias de Vila Real” | Obesidade infantil em tempo de pandemia

Obesidade infantil em tempo de pandemia

Apesar de na última década, em Portugal, e segundo os últimos resultados do COSI (sistema europeu de vigilância nutricional infantil) estarmos a conseguir mostrar uma tendência invertida da prevalência do excesso de peso e obesidade infantil, ainda temos quase uma em cada três crianças a apresentar excesso de peso e obesidade. E sem termos ainda dados sobre o impacto da pandemia COVID-19 na obesidade infantil em Portugal, acreditamos que as crianças possam ter sido bastante afetadas.

Desde logo, pelo maior sedentarismo. O encerramento de escolas no âmbito da declaração do estado de emergência no passado mês de março, com a adaptação do sistema educativo para aulas em frente a um ecrã, com a necessidade das crianças aí se manterem no fim das aulas para a realização dos trabalhos escolares, tantas vezes seguida de atividades de lazer também nas plataformas digitais, condicionou necessariamente a atividade física, principalmente nas famílias que habitam em zonas urbanas.

Mas também pela alteração de hábitos alimentares, causada por toda a alteração nas rotinas das famílias e pela alteração nos padrões de compra, com menos idas aos supermercados e com maior volume de compras de cada vez, o que contribuiu previsivelmente para um aumento do aporte energético alimentar.

Sabemos que a obesidade infantil, além de estar associada ao aparecimento de outras doenças, como as doenças cardiovasculares, a diabetes, doenças osteoarticulares, parece agora representar também um maior risco de desenvolver complicações pela COVID-19. Pode ser que este seja um argumento de peso, para não deixar estragar o bom caminho que temos conseguido trilhar na melhoria da prevalência da obesidade infantil em Portugal!

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