Notícia AVTM | Rastreio é fundamental.

Ana Melo é especialista em cirurgia geral e trabalha, atualmente, na unidade da mama do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).

A especialista lembra que “quanto mais cedo se diagnosticar a doença, mais conservador será o tratamento, com melhores resultados e com melhor qualidade de vida”. Para isso, é fundamental que “todas as mulheres estejam atentas”. “É importante fazerem o autoexame, conhecer o seu corpo e, à mínima suspeita, contactar o médico de família”.

“As doentes chegam até nós porque o médico de família as encaminha, depois de uma queixa, ou então através da Liga Portuguesa da Liga Contra o Cancro, que tem um programa de rastreio bem definido a nível nacional”, realça, salientando que, num ano atípico como este, “os tratamentos e os rastreios forma afetados”.

“Há menos doentes referenciados, primeiro porque os rastreios foram suspensos e depois porque há mais dificuldade em aceder aos cuidados de saúde primários”, explica. Ainda assim, esclarece, “aqueles que nos foram chegando não ficaram sem resposta. Como é sabido, o CHTMAD teve de se reinventar, em março, mas conseguimos fazer uma avaliação cuidadosa de todos os casos”, com doentes de cancro da mama “a serem os menos penalizados”, contudo, “com a chegada da segunda vaga não sabemos se vamos conseguir manter os tempos de resposta”.

Apesar de ser um ano atípico, marcado pela pandemia de COVID-19, aquilo que se tem verificado nos últimos tempos é que “com a implementação dos rastreios e com a própria informação dada pelos media, que sensibilizam a população, tem-se conseguido identificar doentes com estadios mais precoces de cancro, o que nos permite adotar tratamentos menos agressivos, com maior percentagem de conservação da mama”. Mas nem tudo neste processo é fácil, desde logo o momento de dar a notícia que ninguém quer ouvir. “A informação tem de ser faseada, embora não se tenha muito tempo para isso. Quando há suspeitas tem que se introduzir o assunto, dar nome às coisas e não evitar a palavra “cancro”. É um processo gradual e na primeira consulta há muita negação, é preciso dar tempo à doente para assimilar tudo”, acrescentando que “contamos com uma equipa multidisciplinar, até porque cada caso é um caso”.

“Ao longo do processo acabam por encontrar alguém conhecido ou trocam ideias com outras doentes, o que é bom, e acaba por ser um fator positivo porque veem que não estão sozinhas nesta luta”.

Ana Melo termina com a indicação de que “temos uma taxa de sucesso semelhante à que se verifica a nível nacional e internacional. Os tratamentos que proporcionamos à nossa população é igual à do Porto, Lisboa ou Coimbra”, sendo que um dos grandes objetivos do CHTMAD é que a população perceba que “pode ter acesso aqui um tratamento de qualidade, sem precisar de ir ao Porto”, até porque “não faz sentido que um doente tenha que fazer 200 Km para fazer quimio ou radioterapia”. 

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